O mundo mudou

O mundo mudou. De novo. A nova ordem é: “bota uma máscara, pega um tubo de álcool gel, segura na mão de Deus e vai”. O corona ainda está por aí, mas não dá mais para enfrentá-lo sem ganhar dinheiro, sem ver a família, sem se exercitar, sem o milk shake do New Dog, sem vitamina D, enfim, sem viver. Depois de tanto tempo confinados é até estranho sair na rua. Dá uma sensação de que estamos fazendo algo errado. Você sai de casa e de repente: cadê a mascara! Se sente pelado. Volta para pegar. A gente aprende a deixar duas máscaras na bolsa, uma no bolso e mais duas no carro. A padaria tá no mesmo lugar, bem como o shopping. Mas tem algo esquisito. Tá todo mundo de máscara como em um filme de ficção científica. E tem cada uma! Tem estampa de grife combinando com a bolsa. Ou de emojis. Além das pretinhas básicas. E o batom? Ficou obsoleto. A gente descobre que a máscara embaça o óculos. Piora a rinite. Faz a gente conhecer o próprio (mau) hálito. Quando a gente corre, descobre que no queixo tem glândulas sudoríparas. Percebe que não dá para reconhecer a melhor amiga de máscara e óculos escuros. E as crianças? Que desafio! Dale máscara do Batman e da Frozen pra convencê-los. Os mais precavidos usam também a máscara de acetato. Uma odisséia no espaço. E para beber uma aguinha na rua? Você tira a máscara e sente culpa. E quem é quem na foto do aniversário? A gente se acostuma a cumprimentar de longe, se dando um auto abraço. Ou com um toque de cotovelos. Para os mais ousados rola até um abraço original: barriga com barriga e cada um para o seu lado. Nas filas, aprendemos a seguir marcas no chão. Ficamos conhecendo constantemente a nossa temperatura. Puxa, 35,4, ontem estava 36,1. Adeus maratona Game of Thrones. Adeus quebra-cabeças. Adeus gaveta de meia. Não torcemos mais pelo nosso time. Estamos no mesmo time. Torcendo pela vacina e para que o mundo mude novamente.

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