O bom de ser magro


Antes de tudo quero dizer que acho maravilho estar acima do peso e se sentir bem. Respeito e admiro quem se sente assim. Infelizmente não é o meu caso. O que vou dizer agora se refere a minha experiência e de um grupo de ajuda que participo. É um texto de ex-gorda, pra ex-gordos ou para quem deseja perder peso. Vamos lá? Não ser uma magra original tem seus desafios: quando você vai a um prédio comercial, pedem seu RG e não reconhecem a foto do cadastro. Então você diz: amigo, eu já fui gorda. Beeem gorda. Agora que estou magra nem tudo é um mar de Nutella. Tenho que me lembrar constantemente das vantagens de ser magra para não perder o controle. Manter o peso pode ser um desafio maior do que perder peso. Mesmo assim, ser uma new magra, tem lá suas vantagens: andar no shopping e parecer que estou voando. Correr na rua e parecer que estou no céu. Usar shorts. Branco. E biquíni tomara que caia (não mais tomara que caiba). Usar saia sem assar entre as pernas. Usar a barriga de fora, se for o caso. Usar cinto na cintura que acabei de conhecer. Ficar de salto alto sem os dedos latejarem. Perder sapatos porque o pé diminuiu. Não caber no tamanho único. Abandonar o legging e camisão do Mickey Mouse. Ter que apertar a aliança. Ver os olhos e os cílios aumentarem, já que tem menos bochecha em volta. Cortar o cabelo curto sem ficar com cara de bolacha. Não dispensar uma olhadinha no espelho. Abandonar o velho hábito de ir ao médico e subir na balança de costas. E sem roupa. Passar a pular sobre a balança de tênis e calça jeans. Trocar de roupa num vestiário sem a menor vergonha. Abandonar a escada rolante, aprender a surfar só porque aguenta subir na prancha, sentar numa cadeira de plástico sem medo dela quebrar. Caber na poltrona do avião, não roubar dois lugares no metrô e ir atrás no carro com mais duas pessoas. Ir ao supermercado sem medo de te encaminharem para a fila de gestante, parar numa vaga apertada e não ter medo entalar na saída. Abaixar para pegar as chaves que caíram sem enfartar. Não ter mais refluxo e enxaqueca. Não ter mais dores nos pés, nas pernas e na lombar. Não acabar com o frasco de remédio cujo número de gotas é por peso. Dor-mir, não ron-car. Parar de suar mais que tampa de marmita. Dançar numa festa sem se esbarrar. Tirar selfies e se achar. Ter mais pique que a filha adolescente. Não precisar ser a engraçada. Receber olhares e pensar que estão te achando bonita, não gorda. Nunca mais se sentir menos que ninguém.

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