Normal


Imagino o dia em que tudo voltará ao normal.

Levar meu filho pra escola,

pegar transito na marginal.

Correr da ginástica pra terapia.

Voltar a sorrir e desejar bom dia.

Desligar o hangouts, o skype e o zoom,

ver todos os amigos, sem faltar nenhum.

Deixar o quebra-cabeça por fazer,

sair na rua de pijama só pra ver.

Não desinfetar mais o mamão,

dar um abraço, um beijo e a mão.

Fingir que minha cabeça voltou ao normal,

abandonar de vez o Frontal.

De noite ver meu seriado,

as gavetas vou deixar de lado.

Parar de tirar selfie desesperada,

decidir agora que vou pra balada.

Encontrar minha mãe, meu pai, meu avô.

Se alguém me chamar eu direi que vou.

Parar de temer o que vai dizer a UOL,

sair lá fora, tomar um sol.

Desligar o waze e me perder,

demorar pra voltar, enfim, viver.

Dormir exausta e sonhar sem medo

de que um dia volte esse pesadelo.


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