Dias foda e dias que são foda


Tem dias que eu me sinto uma mulher foda. Sinto que dou conta do filho que

tenho e dos 3 que eu poderia ter tido. Me sinto uma dona de casa eficiente, que mantém as lâmpadas trocadas, ralos desentupidos e dispensa abastecida. Corro na rua, faço musculação, pilates e ainda danço no chuveiro. Dias que como tão bem (muita quinoa, nenhum brigadeiro) que eu merecia um Oscar. Acerto de primeira na combinação do jeans, camiseta podrinha, coque alto e batom vermelho. Não lasco a unha. Não atraso. Não brigo com minha mãe. Me sinto amada pelo meu marido. E o amo mais de volta. Dias que crio, que escrevo, que desenho, que canto. E não duvido da minha capacidade. Não nesses dias. Nesses dias, me sinto foda. Encontro os amigos e não vejo seus defeitos, não falo mal dos que não foram, dou risada e faço rirem. Saio plena, certa de que quem tem amigos tem tudo. Ah, esses dias.

E tem os dias que são foda. Dias de TPM, de depressão, de gripe, de dor nas costas, de enxaqueca, bad hair days, dias frio ou quentes demais. Dias que meu único filho me tira do sério, que as lâmpadas queimam, os ralos entopem, falta cebola, almoço miojo e janto chocolate, visto dez looks e termino me sentindo mal vestida, lasco a unha recém feita, atraso para todos os compromissos, brigo com minha mãe, com minha irmã e principalmente com meu marido. E choramingo o dia todo. Sobretudo no chuveiro. Dias que não consigo produzir nada e, se produzo, acho ruim, ingênuo, ridículo. Então falo mal dos outros, para me distrair dos meus problemas. Dias foda e dias que me sinto foda, sem vocês, não vivo.


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