Conversa de salão


Dá série, ouvindo a conversa alheia: sempre odiei presenciar uma mulher falando sem parar com a manicure enquanto ela tira cutícula com a cabeça baixa e muda, tendo que absorver aquele papo chato sem reclamar. Ontem me irritei grandão com uma perua que, enquanto pintava sua unha de nude e seu cabelo de loiro médio (ou seja, se transformava num grande tom pastel), contava freneticamente que não viajava mais para as grandes capitais do mundo, só para o interior de países da Europa e da Ásia. “Cansei de ser turista, sabe, gosto de ser viver o país, comer bem, ficar em hotéis de charme”. “O interior da Alemanha é imperdível, a Rússia uma grata surpresa!”. Até aí, felicidades para ela. Mas e a manicure cujo único interior que a deve visitar com frequência é o do busão, tem que apreciar essa conversa calada para não perder a cliente e até o emprego? Sei quanto ganha uma manicure - eu também pago por esse serviço – e acredito que dificilmente dá para fazer um rolê de bike pela Provence. Caras senhoras carentes em tons de bege, arrumem uma amiga na mesma pegada que a senhora para ouvir suas peripécias e poder dizer francamente que seu papo é um saco. #getafriend #cansadadepapochato


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